quinta-feira, 23 de julho de 2009

heliantos



Tirei os girassóis da janela

antes de a chuva chegar.

O que fariam eles sem o sol?

Para onde olhar?


Antes da chegada da chuva

chorei pelos outros girassóis.

A lavoura de girassóis que começa no meu quintal e não tem fim.

Não posso guardá-los.

O que farão eles na chuva sem mim?


Vou eu aos girassóis na chuva.

E chove forte, chove pedras, relâmpagos e escuridão.

Os girassóis por sua vez choram por me ver chorar.

E as lágrimas dos girassóis são também pingos da chuva.

A chuva ao ver-me no campo de girassóis quer me salvar.

Vou ficar doente gritam os trovões.

- Já para dentro menina, pare de se molhar!


Não posso.

Não obedeço.

Como poderei eu, aquela que plantou, agora na tempestade os abandonar?

Encharcados,

misturados,

murchos

combalidos.

Essa chuva nunca vai parar?


Morreremos afogados

dissolvidos em água.

Mas lá dentro da casa,

em cima da mesa,

existem os vasos de girassóis

que alguém poderá achar.

.

.

Imagem: retirada da página http://carneebatatas.blogspot.com/ sem confirmação de autor (por hora).

4 comentários:

Carlos Alberto disse...

pobres girassóis...

lucas disse...

olá, olá.
bom, indo direto ao ponto, não acredito que tenha sido o van gogh; mas sei menos ainda do que ti quem é o autor do quadro. sei que é bonito, isso sim. fiz o mesmo percurso que o teu: procurei uma imagem de girassóis na internet e essa foi a que mais me cativou.
em relação à tal objeção, pode crer que ela não existe de forma alguma.
bom... é isso. espero ter ajudado. de uma forma estranha e não "soluvedora", mas ao menos esclarecedora.

ah, e que poema lindo!

Ricardo disse...

sig sua cabeça de bagre...to com saudades

Madame A. disse...

Sig.....
achei esse, particularmente, a tua cara!
Se eu tivesse lido em qualquer outro lugar, na hora, pensaria em vc!!!!!
bjinho!