domingo, 26 de outubro de 2008

For my mamizinha


Minha mãe não me disse:
- Fode-te no mundo Raimundo.
Nem gritou lá do portão:
- Cuidado, nem tudo que brilha é oro fio.


Se chorou em minhas partidas foi escondido, embora acredite piamente que sim, chorou.
Eu que parti tantas vezes para tantos lugares e tantas outras para lugar nenhum.
Que queria, precisava e confundia.
Que sonhava, acordava e vivia um pesadelo.
Ela velou sim pelo meu sono, por minha vida. Ainda vela, lá de longe, sei que ainda vela.
Se de ímpeto fui um susto, persisti no ideal.
(- Desculpe pelos incontáveis sustos mamãe.)


Sempre houve ela, sempre há ela.


Ela que abriu mão de uma vida própria por um filho, para doar uma existência ao mundo, pronto e educado para labuta. Ela que muito cedo recebeu ingratidão em troca de todo esforço e sacrifício. Pois somos criaturas ingratas e cruéis nos períodos conturbados da infância e adolescência. Ela merece o céu. O céu com todas as suas estrelas e planetas não descobertos, o céu com todos os tesouros intergalácticos e vidas além planeta Terra.

E a gente erra tanto até perceber isso....
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imagem: Mary Cassatt

2 comentários:

vera disse...

Isso é muito bom!!!
O amor está fluindo...
Sempre há tempo!!!!

Vandete disse...

Querida Carol! Siguilita...
Conhecendo voce como a conheço hoje, sei bem o que voce quiz dizer, tamanha verdade, sentimentos profundos, amor seu por ela, um agradecinto infinito...

Te ano Sig...sua sensibilidade e tantas outas cosas em v, fazem a diferença...
bjs Sua mãe postiça
Van