terça-feira, 17 de junho de 2008


você gostaria de submeter-me?
me ter?
meter-me?
eternidade,
maternidade...
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Sempre falo: Machismo em homem é horrível, mas suportável e “entendível”, agora não me venham pedir para compreender machismo em mulheres. Até sei de onde vem tal carga negativa em relação ao próprio sexo, mas não desculpo, e, sendo menos educada abomino e sinto asco. Atribuo a isso o fato de existirem tão poucas companheiras ao meu lado, tenho bons amigos, deles 80% “advêm da classe varonil”, subentendo-se a existência de um pênis entre suas pernas, deixando de lado o fato de os usarem ou não, e de que modo.
A fora minhas companheiras de infâncias - aquelas amigas para toda vida, para que você pode aparecer derrepente, depois de anos, pedir abrigo e dinheiro emprestado, entretanto, que arduamente você consegue manter contato diário – minha lista de aquisições nessa área geralmente é dominadas pelo sexo oposto. O que, é claro, não influência na sua qualidade, porque é por pessoas que tenho como amigas e amigos que se vale à pena lutar nesse mundo... rasgação de seda sim, mas real.
Mamãe sempre ficava abismada – o que parou de ocorrer depois de anos, quando ela acostumou-se – nas horas em que me ouvia dizer em alto e bom som: A buceta é de cada uma e façam com ela o que bem entenderem. Esse tipo de assunto realmente não faz parte do meu "vocabulário de conversas", já que não me influencia em nada saber o número de parceiros sexuais, e histórias afins, de alguém. E como só um detalhe que merece ser lembrado, dei esse exemplo de preocupação machista que geralmente está a rechear as cabecinhas de nossa mulheres, encerro a questão.
Voltando a falar de amizades, talvez tenha ficado muito seletiva, mais do que uma pessoa como eu, uma ninguém, deveria ser. Todavia, essa culpa não é só minha. Até tento, tenho paciência, paro para ouvir o que têm a dizer e sempre acabo aborrecida, cansada. Quase que invariavelmente cometem o crime capital, um momento ou outro se revelam ótimas retrógradas encobertas por garotas modernas, mulheres independentes ou de velhas beatas prafrentex. Ai de mim, quantas “almas miseráveis” por esse planeta!
Por que, afinal, atem-se a essas pequenezas? Por acaso já olharam para fora da janela? Já leram um livro? Já plantaram flores? É isso ai, vá praticar jardinagem e pensar em tudo que as mulheres lutaram durante anos, para vir uma careta como você dizer que é feio mulher fumar na rua, ó, por favor. Quanto ao feminismo radical, acho realmente radical. Adoro ser mulher e gozar dos privilégios que cavalheirescamente os homens nos devotam, como: pagar a conta, mandar flores, puxar a cadeira, ceder lugar, servir a bebida, dar a preferência em casos de emergência e todos os luxinhos que nos são relegados somente porque somos garotas.

Imagem:Édouard Manet

2 comentários:

Arleson disse...

eh verdade...
sinto raiva de mulheres recalcadas e submissas.
submissa pra mim, só se for de tara...
no resto, prefiro enfrentá-las.

=*

vera disse...

Se esse modo de ver não tivesse nada contigo, não ficaria tão incomodada. No fundo, no fundo, você se encontra trilhando os mesmos caminhos e isso te aborrece!!! Quando os momentos não falam contigo, não há partilha, passam como brisa mansa...
Pense sobre isso.