terça-feira, 29 de julho de 2008

Que lindo!

O significado das cores?
As cores são para colorir oras.

Desabo da toca para o mundo em um segundo.
Ai que lindo!
EU QUERO PORQUE QUERO.
PORQUE É BOM QUERER PARA DEIXAR DE QUERER.

Tocar harpa,
gozar,
festejar,
...ar.
Até penso em dormir no seu colo quando tudo acabar.
UM CORPO,
seus olhos,
um mar.



("AH, QUE LINDO. JÁ ESTAMOS INDO. EM CÂMERA-LENTA VOAR. EU SINTO VOCÊ ME AMAR, AS CORES ESTÃO VIVAS E TUDO COMEÇA DANÇAR. QUE LINDO!" Rita Lee)

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imagem: Edgar Degas

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Wonderland

Se ao olhar para o quintal, visse, além de todos os adereços já existentes, mais cinco anões, sete duendes e nove sapos, não iria estranhar. Só faltava falar, andar, saber nadar.

Mas espere!
Ouça bem, olhe bem,
há movimentação.

Os passarinhos, os insetos e o gnomo que espanta a mosca de seu nariz. O quê? A Branca de Neve está a dançar com os animaizinhos ao seu redor? Aquele coelho que corre como louco, um coelho branco, com um relógio na mão, com uma menina a segui-lo. Uma lagarta no cogumelo. Um espantalho. Um leão. Um homem de lata enferrujada. Uma casa voadora. Um caminho de esmeraldas. Quarenta ladrões e um Ali Babá. Uma carruagem de abóbora. Um príncipe falso (porque verdadeiros não existem). Uma gata borralheira. Uma sereia. Meninos voadores. Piratas e um Peter Pan.

Uma gota d’água cai em sua testa.

Todos são sugados pelo ralo da realidade. Do marasmo. Da monotonia. Do trabalho forçado. Do salário escasso. Da vida comum. Do dia-a-dia, sem nada de extraordinário, sem nenhuma aventura, sem nunca salvar o mundo, o reino, nem o vizinho. De ser escravo do relógio, da agenda, do dinheiro, do sistema, dos desejos humanos, das mazelas terrenas, de ter que comer para o corpo não perecer (e, ainda assim, um dia morrer), sem nunca ter podido voar como se tivesse asas, sem super poderes, sem máquinas do tempo ou submarinos inacreditáveis, presenciar encantos, ir a outros planetas, matar dragões, salvar donzelas ou encontrar-se com seres de outras dimensões.

Mataram todas as princesas.
Enterraram os livros de contos de fadas.
Queimaram vivos os visionários.
Compraram a dignidade do Diabo.

E lhe deram de presente um emprego na fábrica de martelos. Todos os dias, por doze horas, vai pôr o mesmo parafuso no mesmo lugar, interminavelmente.
Sempre existirão pessoas precisando de martelos. Sempre existiram pessoas colocando parafusos nos martelos. E ele poderá fazer isso até se aposentar, ficar velho e cansado de tanto trabalhar.
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imagem: Blonde Blythe

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A SEGUNDA-FEIRA ME CORROE A ALMA.
Poxa, a Dercy morreu...
- Filho d’puta, porra, caralho, fodeu, é o que ela provavelmente nos diria.
* diga se de passagem, uma vida bem vivida!

Monólogo entre paredes

Escrevo porque me dói o estômago e, talvez, escrevendo a dor passe.
Porque tenho um descontentamento manso,
que quando canso
tenho que despejar.
Pessoas, pessoas, pessoas,
aqui, ali, acolá.
Dedinhos, mãozinhas, dentinhos...
Pessoas, pessoas, pessoas.
Monstrinhos...
Não há lugar como nosso lar, já dizia Doroty.
“Gregor? Não estás bem? Precisas de alguma coisa?”, Kafka.
“É praticamente incrível quantos motivos de riso e de diversão diária os pobres homens oferecem aos deuses”, Erasmo de Rotterdam.
Pobres, no sentido literal e figurado da palavra,
nenhum abrigo do mundo.
Realmente coxos,
mancos,
mansos,
esse seres que ficam a se arrastar.
Cactos.
Sequóias.
Tramóias puras.
Sapos.
Meninos.
Macacos.
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imagem: Berthe Morisot

domingo, 20 de julho de 2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

travel




um pingo pingando lá na pia.
já fumei Jeremias, Jó e a besta do apocalipse,
gosto de tinta filho d’puta.
pra merda acontecer é só um pulo,
um centésimo de segundo.

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imagem: George Grosz

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Existencial


Um rebelde de causa indefinida,
porque são muitas causas e cousas ao mesmo tempo.

Aquele pêlo que desponta na sobrancelha,
a pulga que nasce atrás da orelha,
a pele que rasga e sangra,
suco que move e comove,
tudo é motivo para causar.
Eternamente na “eternidade” efêmera de um dia acabar,
morrer,
soçobrar,
como um barco furado na “infinitude” finita do mar.
Como as causas fazem as cousas e as cousas transformam as causas,
como você passa a bola,
enrola,
para tentar se enganar.
Não basta.
A verdade é certeira,
Vai perseguir-te,
Para sempre lembrar:
A vida é só uma, tão grande e pequena, e vai te matar.

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.imagem: Edgar Degas

sábado, 5 de julho de 2008


DESISTAM
incapazes seres,
pedaços de gente.
músicas mal escolhidas.
Vocês colhem tudo errado, mas crêem saber a verdade.
têm pensamentos pobres... juro não ser esnobe.


PULEM DE UM NAVIO NO MAR
de lá, talvez, irão me alcançar,
para quem sabe beber-me, quem sabe brindar.


DURMAM NO TRILHO DO TREM
fiquem esperando quando a lua vem
e apita em sua direção.


SÓ NÃO ME AMOLEM NÃO
tenho o tempo contado para perdê-lo em vão.


PROTEJEI-ME Ó BOM DEUS QUE NÃO EXISTE
DAS CABEÇAS DE VAGA-LUMES
COM SEUS CERÉBROS DE ESTRUME.
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imagem:John William Waterhouse

terça-feira, 1 de julho de 2008

Tabagístico


Fumantes do mundo uni-vos (Essa frase não me pertence, mas acho-a ótima e não passa por minha cabeça quem foi o primeiro a dizer isso.) antes que seja tarde. Logo seremos cerceados de tal forma que um encontro entre dois ou mais usufruidores de tabaco, nicotina e outras 4.700 substâncias tóxicas, será considerado conspiração contra a nação, contra os outros cidadãos, talvez, até, contra a paz mundial.
O ritmo de discriminação galopante logo tornará impossível acender um cigarro dentro da própria casa. Acredito que fumar em mercados, elevadores e recintos do gênero é uma falta de respeito como os chatos que não gostam da fumaça. Entretanto, sejamos realistas ao incluir nessa lista bares, botecos, e lugares afins... ninguém merece.
Proibir-nos-ão de fumar até nos inferninhos? Nos velórios? O que será dos velórios sem os fumantes que ficam na frente da capela? E o glamour da viúva bela, rica e triste? Ela não será a mesma sem um cigarro. Depois do sexo? Como fará falta!
Sugiro a proibição de outras coisas, como por exemplo, a ignorância, preconceito e mesquinhez mental nas universidades. Poder-se-ia acrescentar nas placas de “proibido fumar” o dizer: proibido ser filho da puta, para contribuir com a nação; proibido abrir a boca se for estúpido em excesso (essa nos pouparia horas de amolações); proibido nadar: piranhas. (Não você, os peixes.) Porque nunca se viu tal aviso, afora nos filmes de Hollywood. Ou proibido existir como lhe aprouver, que é a tradução do que já vem acontecendo.
Lutar e exigir respeito - o mínimo que merecemos - como as prostitutas, os pobres, os índios, os deficientes físicos e os carecas. (Uma imigração talvez seja a solução e com o trocadilho faremos estribilhos) Lutar até o banimento para uma colônia de povoação na Lua. Lutar pelo direito de fumar um cigarro, e se morrer de câncer, foi uma escolha nossa, e se der ônus pro Estado, que ao menos isso ele pague, e se os dentes ficarem amarelos, existe clareamento.
Tudo isso por um simples gosto de fumaça adocicada na boca? Tudo! Um pequeno prazer vale a pena na vida do homem que trabalha, cultiva planos, sonhos, decepções, afetos, misérias e riquezas, que inevitavelmente irá morrer e tem em vários detalhes sua dose diária de aprazimentos concretos.
Os não fumantes frescos que fiquem pro lado de lá, de preferência não saiam de casa. Afinal, há fumaça por todos os lados, e maldade, corrupção, violência, poluição. Mas ser fumante passivo é o fim... Isso vai matá-lo antes de mim.
Tabagístico de mais para você? Ademais, é isso que deveria ser.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

desanuviar

to achando tudo artístico, tudo matamorfósico.
to achando arte no lixo sem nenhum propósito.
to querendo fazer poemas, dilemas, colóquios.
to querendo ser artista e agora?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

PORTUNHOL


Se jo soi no se.
Pero que ando mui loca ando...
E que ahora ainda no estoy, és verdad

FANFARRICE


escrever traços, mandar abraços,
beijar as nuvens.
o coração, a vida, o mundo,
tudo no mesmo compasso.
ser menino, ser menina,
milhões de coisas,
a banda,
a corneta,
a rima.
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Imagem: Pablo Picasso

sexta-feira, 20 de junho de 2008

versos vãos...

*não crio porque não rio.
crio porque nasce,
porque creio no disfarce,
na arte de viajar...
*alusão ao escrito de Aristóteles: O Homem de Gênio e a Melancolia: o Problema XXX...
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fazer frases que combinem com combi,
com biquíni.
beber líquidos que matem a sede,
o medo da morte,
de deixar de fazer parte.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Foto de Frida Kahlo pelo fotógrafo Fritz Henle

você gostaria de submeter-me?
me ter?
meter-me?
eternidade,
maternidade...
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Sempre falo: Machismo em homem é horrível, mas suportável e “entendível”, agora não me venham pedir para compreender machismo em mulheres. Até sei de onde vem tal carga negativa em relação ao próprio sexo, mas não desculpo, e, sendo menos educada abomino e sinto asco. Atribuo a isso o fato de existirem tão poucas companheiras ao meu lado, tenho bons amigos, deles 80% “advêm da classe varonil”, subentendo-se a existência de um pênis entre suas pernas, deixando de lado o fato de os usarem ou não, e de que modo.
A fora minhas companheiras de infâncias - aquelas amigas para toda vida, para que você pode aparecer derrepente, depois de anos, pedir abrigo e dinheiro emprestado, entretanto, que arduamente você consegue manter contato diário – minha lista de aquisições nessa área geralmente é dominadas pelo sexo oposto. O que, é claro, não influência na sua qualidade, porque é por pessoas que tenho como amigas e amigos que se vale à pena lutar nesse mundo... rasgação de seda sim, mas real.
Mamãe sempre ficava abismada – o que parou de ocorrer depois de anos, quando ela acostumou-se – nas horas em que me ouvia dizer em alto e bom som: A buceta é de cada uma e façam com ela o que bem entenderem. Esse tipo de assunto realmente não faz parte do meu "vocabulário de conversas", já que não me influencia em nada saber o número de parceiros sexuais, e histórias afins, de alguém. E como só um detalhe que merece ser lembrado, dei esse exemplo de preocupação machista que geralmente está a rechear as cabecinhas de nossa mulheres, encerro a questão.
Voltando a falar de amizades, talvez tenha ficado muito seletiva, mais do que uma pessoa como eu, uma ninguém, deveria ser. Todavia, essa culpa não é só minha. Até tento, tenho paciência, paro para ouvir o que têm a dizer e sempre acabo aborrecida, cansada. Quase que invariavelmente cometem o crime capital, um momento ou outro se revelam ótimas retrógradas encobertas por garotas modernas, mulheres independentes ou de velhas beatas prafrentex. Ai de mim, quantas “almas miseráveis” por esse planeta!
Por que, afinal, atem-se a essas pequenezas? Por acaso já olharam para fora da janela? Já leram um livro? Já plantaram flores? É isso ai, vá praticar jardinagem e pensar em tudo que as mulheres lutaram durante anos, para vir uma careta como você dizer que é feio mulher fumar na rua, ó, por favor. Quanto ao feminismo radical, acho realmente radical. Adoro ser mulher e gozar dos privilégios que cavalheirescamente os homens nos devotam, como: pagar a conta, mandar flores, puxar a cadeira, ceder lugar, servir a bebida, dar a preferência em casos de emergência e todos os luxinhos que nos são relegados somente porque somos garotas.

Imagem:Édouard Manet

domingo, 15 de junho de 2008

teto estrelado


existem cinco mil estrelas no meu quarto...

toc toc...talvez seja um demônio a bater em minha janela.


- lamento não posso abrir.
todos os vaga-lumes vão fugir.
- entre pelas frestas,
sei que você não presta.


existem cinco mil pintas pelo meu corpo,
talvez, um corpo nas cinco mil pintas,
ou pintaram meu corpo e não me avisaram?
Foram vocês ó vaga-lumes que me lograram?